Domingo, Junho 07, 2009

A Alexandra Faria também esteve na Noruega!

Na Noruega com muita fotoadrenalina
Dezassete dias de chuva ponderado para o total de trinta, dizia a previsão. Todos procuraram saber e viram também o calor que não iamos sentir. Meteorologistas… Frio e chuva para uns supostos aventureiros! Quem diria que afinal não nos iria incomodar assim tanto esta previsão!
Algum sol em Frankfurt, sobrevoadas muitas nuvens em Oslo e à força de mais uma escala nesses espaços suspensos entre as expectativas dos viajantes, a que chamamos aeroportos, chuvia à chegada a Bergen.
Era cinzenta a luz do primeiro dia na Noruega, mas só nos deixaria a horas invulgares para o nosssa ainda nula adaptação. Chuva refrescante esta de Bergen! Chegada oficial e partida para outra maratona, a de serpentear as montanhas até ao refúgio de um vale onde finalmente no dia teriamos descanso.
Era no fim de contas encantado este vale e era também nele ainda de dia quando às onze da “noite” descalçamos as botas à entrada das nossas cabanas, num acto de surprendente civismo demonstrado e incontestado! Atravessada a porta, a saída em frente faz-se para uma varanda com uma plataforma sobre um mar estático e recortado por duas montanhas ao fundo – os fiordes.
Eis a primeira imagem do encanto desta terra, que no dia seguinte vista do cimo de um miradouro se transformou num cenário retirado de um conto de fadas, ou então, como alguém comentou, a personificação daquelas fotos que vêm impressas nos involucros dos chocolates que vêm da Suiça. As casas plantadas pontualmente na encosta das montanhas e concentradas no seu vale, todas de madeira colorida, envoltas em neblina e protegidas por nuvens suspensas nos cumes nevados das montanhas do horizonte, dão a este espaço um ar fantástico.
Nada se mexe, nada se ouve… não… algo se move! Ainda não falei dos seres que povoam estas encostas verdes, as ovelhas. Manchas brancas nesta imensidão, que sim, se mexem e lançam no espaço o seu som, que aqui parece fazer parte de um qualquer tratamento de relaxamento.
Ainda embriagados pela beleza deste espaço somos levados para o centro das montanhas por onde seguimos o trilho de um comboio verde, que como um camaleão as cruza e ao mesmo tempo parecere fazer parte delas! Se andamos de comboio? Não! Seguimos em marcha lenta o verde da paisagem, paramos nas margens dos rios, fotografamos as quedas de água que descem montanha abaixo desde o seu cume de neve, fazemos o nosso almoço ambulante na margem de um rio que corre junto à linha e naquilo que parece ser o espaço que rodeia uma casa que não percebemos se é habitada!!
O jantar foi já na cabana ao ritmo da vontade de cada um e cada um no mesmo espaço contavam treze à mesa ou pela sala.
Entre conversa, fotografias e comida o dia termia tarde e no dia seguinte temos um glaciar e o Andy à nossa espera.
Afinal esperamos nós pelo Andy, enquanto ao longe já deslumbrados fotografamos um grande pedaço de gelo encaixado entre duas grandes montanhas, separado de nós por um extenso vale que termina num lago!
Chegada do Andy e os seus caiaques…. Ai ai o que nos espera! Damos-lhe tempo e tentamos ganhar algum para nós, talvez para procurar o espírito aventureiro ou para enganar o friozinho na barriga!
Já na partida, caiaques a postos, breve explicação do que é isto de fazer caiaque e um lago à frente para aplicar os 10 minutos de explicações do Andy!! Ei… Onde estão os socorristas?
Fomos uns grandes remadores, era ver-nos a dominar o lago… Sem naufrágios ou baixas, nem das câmaras que aguentaram com água vinda de todos os lados! Crazy Portugueses, dizia o Andy!!
Atracados os caiaques, espera-nos o glaciar cada vez mais perto. Mais 10 minutos de explicação da técnica de subir glaciares, deve ser como andar de saltos, penso… Parece seguro, vamos estar ligados por uma corda… “… espero que estes tipos não sejam muito de cair!”… Equipados, começa a subida!
E neste equipamento vai já incluida a câmara para a qual espero conseguir libertar uma mãozita de vez em quando e usá-la, sem cair espero… “e vocês não se lembrem de andar para aí aos tombos que isto que temos nos pés pode picar e a picareta que levamos na mão pode ser perigosa, ah e não quero dar uma cabeçada na câmara do Chico, que deve pesar uns 5 kilos”!
Tranquilos, que no início vai o Andy e no fim da corda vai o Vitor de picareta em punho a abrir valas, diz ele “autênticos rios”, no glaciar!
Safamo-nos na subida sem pernas partidas ou câmaras pelo ar… paramos e diz o Andy: “agora almoçamos!” … What!? … Abre a mochila e… coffe and hot chocolat for every body!!
Sentados no gelo sacamos da marmita fotoadrenalina e toca a recuperar energias, que ainda temos que descer até ao lago, arrastar o nosso caiaque para a água e remar até aos carros!
Este dia terminou com um sol fantástico a reflectir as montanhas no lago e também com um valente escaldão à turista da neve, com as respectivas marcas dos óculos e dos gorros na testa!
De volta às cabanas ainda povoados pela aventura deste dia, preparamos o jantar e já pensamos no dia seguinte, que nos vai obrigar a arrumar as malas, pois vamos rumar a Sul, não sem antes cruzarmos os fiordes durante duas horas num passeio de barco.
Por entre tuneis que rasgam a montanha alguns até por baixo da água do mar, uns com alguns metros e outro mesmo com 24 km, vamos seguindo caminho por terra, por baixo de água e por cima da mesma em grandes ferries. Novas cabanas plantadas à beira mar! Instalamo-nos e descansamos! Ainda nos falta o Preikestolen!
O inicio da saga “a conquista da montanha”, começou rodeados de turistas bem preparados!
Duas horas a trilhar aquilo que parece ter sido o leito de um rio de caudal violento que agora deixou as suas entranhas a descoberto, desalinhadas, para que todos possam saltar de pedra em pedra até chegar ao topo da montanha estafados, e aí se deslumbrarem com uma vista grandiosa. Um rochedo que termina numa plataforma a 600 metros de altitude onde os caminhantes se reunem, tiram fotos em êxtase, almoçam, descansam, passam a noite…
A vista que temos desde esta plataforma, sobre o que nos rodeia, montanhas em vários tons de verde e o mar lá no fundo, plantados debaixo de um céu azul, é esmagadora. Vale o esforço da subida e o esforço ainda maior na previsão da descida! Não ficamos para a noite e a descida pedra ante pedra terminou na base da montanha já com o sol a ser substituido pela neblina que se erguia sobre um lago imenso ali ao lado. Como se tivesse sido transportado apenas para o cimo da montanha e continuasse lá, a 600 metros de altura de distância de nós!
Terminadas as aventuras a sul, rumasse a Bergen … cada vez mais perto da partida!
Bergen é cor, madeira, casas plantadas na encosta das montanhas que delimitam a cidade, ora encobertas por nuvens de algodão levemente suspensas, ora reveladas entre o verde da vegetação… Bergen é um almoço ambulante de peixe no seu mercado, que curiosamente nos serve em bom português!
A partida… talvez 13 graus em Bergen e um céu azul mesclado de branco, 16 graus em Oslo e o Sol acompanha-nos na despedida à Noruega… preparamo-nos para regressar aos 29 graus de Frankfurt! Nem acreditamos na informação dada neste aeroporto ainda de casacos vestidos! Era verdade, à chegada à Europa da união pareceu-nos que em Oslo tinham sido talvez até contidos na previsão… que estufa e nós e os casacos…
Não sei falar de temperaturas à chegada a Portugal quando já avançadas iam as horas e se elevaram os ânimos nas sucessivas despedidas dos companheiros de viagem, por entre malas e abraços e as fotos que levamos que nos farão novamente viajar!

Alexandra Faria

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